quinta-feira, 27 de setembro de 2012

“Winner, winner, chicken dinner!”




Thiago Aresta *


Confesso que essa expressão pulula em minha mente desde que assisti o filme “Quebrando a Banca”, em que um grupo de gênios de uma universidade americana aproveita seus dotes para faturar alto nas mesas de Blackjack, o nosso famoso “Vinte e um”, levando à bancarrota vários cassinos da mítica Las Vegas e se tornando um pesadelo para os magnatas donos desses estabelecimentos e seus ávidos capatazes. O líder do grupo, gênio-mor, professor do MIT, desenvolveu um sistema infalível para, observando as cartas, descobrir a contagem de cada mesa e favorecer a aposta certeira, além de um complexo sistema de sinais que seus pupilos utilizavam para compartilhar essa informação. Trocando em miúdos, eles conseguiram transformar, através da ciência, um jogo de azar em jogo de sorte. E põe sorte nisso!

Mas e o frango? E o jantar? Bem, pesquisando nas internetes da vida, descobri que a frase lapidar, numa tradução livre e tosca, “A quem ganhar, frango para o jantar”, tem origem em Vegas onde, por muito tempo, o jantar especial de frango custou um dólar e setenta e nove centavos. Como a aposta padrão, básica dos cassinos, rendia dois dólares, o afortunado teria dinheiro suficiente para degustar um prato desses no jantar. E, numa tacada de sorte, tudo isso fez sentido, mas não no verde do feltro das mesas de apostas de Las Vegas nem no preto e no vermelho de espadas, ouros, paus e copas do baralho, mas no verde do gramado do Estádio Olímpico João Havelange e no preto e no vermelho do futebol, no tão esperado confronto postergado entre Flamengo e Atlético Mineiro.

Começando pelo Galo, pareceu-me incompreensível e incongruente o excesso de cautela com que o time mineiro, brigando ponto a ponto pela ponta da tabela e em tão boa fase como apregoam, entrou em campo; o Atlético, diferentemente do Corinthians do ano passado, não conseguiu manter o fôlego após um início de campeonato fulgurante. Justiça seja feita, o moleque Bernard, que joga muita bola, fez falta, é mais de cinquenta por cento do time do Galo. Nota triste fica por conta da atitude de marginal que teve o Réver ao desferir uma cotovelada horrenda contra o Cáceres. Foi expulso e bem expulso, mas agora eu quero ver se esse tal de STJD funciona mesmo: doze jogos para isso não é nada!Disseram que um tal de Erre49 jogaria, mas, sinceramente, não o vi em campo. Se bem que não é problema nosso, o máximo que esse cara é do Flamengo é credor e, mesmo assim, no fim da fila! E teve choradeira no fim do jogo... Peraí: choradeira, camisa alvinegra, Cuca. Era Atlético Mineiro ou Botafogo? Só faltou o Lúcio Flávio pegando o microfone e, aos prantos, declarando o seu time como “vencedor moral”... De acordo com o disposto, fica definido que o Atlético de Minas é um Botafogo: 1. que fala “uai”; 2. com requeijão ou doce de leite (ao gosto do freguês).

Só que o Flamengo não tem nadica de nada a ver com isso e fez o seu dever de casa. Tomou a iniciativa, controlou as ações, foi pra cima, dominou o território, deu as cartas, pegou o morto e bateu na mesa: foi Flamengo. Finalmente, caríssimos irmãos em Zico! Não tem uma equipe de gênios, evidente, como no filme, mas suou a camisa, teve raça e deu sangue. Acreditou. O Dorival, como bom jogador que é, jogou as cartas certas: com cada um em seu lugar, fez uma canastra limpa com o que a sorte trouxe às suas mãos. Sem inventar, blefe é do jogo. O lance do segundo gol foi, como num conto, a célula dramática do jogo de ontem: o Wellington Silva foi pra dentro, foi Flamengo, acreditou, cruzou para o Liédson, que guardou, com estilo. Aplicação e confiança. Insisto, não há gênios nesse Flamengo, mas o grupo não é dos piores, mas faltava algo para dar liga, um catalisador. Ele chegou, não é uma Brastemp, mas preencheu a lacuna do setor criativo do rubro-negro: Cléber Santana (pro que tem o Flamengo, não seria exagero chamá-lo “Cleberniesta”), experiente e bom de bola, sem firula, fazendo o básico. Tudo começou com um golaço do Love, gol de centroavante, de quem sabe e, acima de tudo, acredita. E tudo terminou com mais uma vitória do Flamengo, a segunda seguida após um jejum de sete jogos. O terceiro jogo sem derrota e o sétimo de nove pontos conquistados. O burro continua lá, com trinta, e o urubu já voa à meia-altura, com tinta e quatro... Ufa! E, assim como em Las Vegas, para o Mengão, frango de jantar. Ou melhor, galo. À carioca! O que acontece em Vegas fica em Vegas, mas o que aconteceu no Engenhão correu o mundo, impulsionado pela força da magnética!

E a magnética merece nota especial, menção honrosa, medalha de honra ao mérito: QUE COISA LINDA! Aquele binômio indissociável do qual falei no último texto, time e torcida, provou, mais uma vez, que é osso duro de roer ou de bicar. E um puxa o outro, não tem jeito. Fica aí, mais uma vez, o recado para nossa possante diretoria: o preço do ingresso influencia SIM na ida ao estádio; essa promoção, de caráter emergencial, provou isso. Se o negócio é lucrar com preço alto, o que leva menos gente ao estádio, pode-se inferir que mais gente, a um preço menor, propicia lucro similar, além de altas possibilidades de contar com estádio praticamente lotado e jogar com a força da torcida incentivando o time no peito e na raça, no canto e nas palmas. Mantenham esse preço para o campeonato e tragam a torcida para junto dos jogadores, ou então vou achar que isso é só desculpa pra jogar a responsa pra cima da torcida, já que a incompetência administrativa e gerencial de vocês afasta o torcedor do seu habitat natural enão consegue dar conta de uma instituição do tamanho do Flamengo. Valeu, Nação! Estamos de parabéns! É muito orgulho fazer parte disso!

Se “Winner, winner, chicken dinner” foi o que a aposta padrão nos rendeu…
Então por que não ousar mais e variar esse cardápio?
A magnética espera, ansiosa, mais um convite para jantar!
Domingo tem mais. Estaremos lá!

SRN





*Thiago Aresta acaba de afirmar que não é mais afiliado ao PMDB,  mas fontes seguras indicam que ele está de saída para o PSD, o partido do Kassab.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tudo por Ele!



Thiago Aresta*



Caríssimos irmãos em Zico!

A frase contida na faixa rubro-negra presente na singela foto que ilustra o topo deste texto encerra todo o sentimento, todo o exercício de abnegação diária que nós, torcedores comuns, amadores, torcedores de ofício não-remunerado, fazemos nessa tarefa hercúlea, mas recompensadora, que é o ser Flamengo. É bem verdade que essa faixa, em interpretação restrita, é quase que como uma insígnia de uma das mais proeminentes “torcidas organizadas” que apoiam nosso clube e está impedida judicialmente de figurar em estádios, seja diretamente ou em qualquer alusão. E é bem verdade que aí temos duas mentiras, todo mundo sabe a quem especificamente essa faixa se refere e sabe, também, que o que nela está escrito não é a prática, pois essa torcida se vale do Flamengo, lucra com ele. Ao contrário de nós, “torcedores comuns”, que temos que mofar em filas e pagar um ingresso com um custo-benefício dos piores e mais injustos. Essa é uma abnegação das maiores. Estamos ali por pura profissão de fé, podemos e devemos fazer a diferença. Não cobramos nada além de dedicação. O jogo contra o Grêmio foi prova disso: houve a promoção de ingressos, medida emergencial que surtiu efeito, a redução de dez dilmas no preço atraiu, pelo menos, o triplo de torcedores ao estádio; e a torcida mostrou ao time: “Se você for, nós vamos junto, então vamos pra cima!”. A mudança de atitude no segundo tempo, de time e torcida, foi a prova de que esse binômio, time e torcida, é indissociável, apesar dos pesares, e cabe à diretoria, por mais incompetente que seja, tomar medidas para fazer com que esse encontro se realize plena e frequentemente. Uma delas seria a modalidade de sócio-torcedor com direito a voto - como, aliás, faz o próprio Grêmio – o que traria o torcedor DE VEZ para dentro da realidade e da vida do clube, mas o pavor da perda da hegemonia político-administrativa dentro do clube é maior que a vontade de vê-lo crescer. E se dizem flamenguistas... E esse último jogo é a prova cabal da força rubro-negra no campo e no estádio: o Flamengo, vindo de um jejum de vitórias, cambaleando, jogando fora de casa e muito longe do Rio, contra outro time em desespero, lota TRÊS TERÇOS de um estádio com torcedores aflitos, mas apoiando e sim, fazendo a diferença, empurrando o time e virando o jogo. Agora imagina isso em escala nacional: isso é Flamengo, seu patrimônio maior é sua torcida, dentro e fora do Rio, um fenômeno, ainda que seja vilipendiado por anos e mais anos de incompetência sucessiva e descaso velado. Sou sim um defensor do futebol em sua mais pura expressão, seja pelo jogador, seja pelo torcedor; e compreendo quando esse torcedor, pelos mais diversos motivos, prefere o sofá à arquibancada (e que não me venham os modinhas nem os caga-regras dizer que esse cara é menos torcedor do que o que está no estádio; torcida é paixão, irracional, espontânea, não importa onde se esteja. Somos todos torcedores: de arquibancada, de geral, de sofá, de bar, de radinho de pilha, de streaming de internet... Não fode!). Mas nessa reta final, cada jogo é decisão, todo esforço é necessário. O duelo contra o Atlético-MG se avizinha e a responsabilidade é grande. Esqueçam o Erre10, o que deve mover nossos pulsos, impulsos, gritos, cantos e palmas é a busca pela vitória, que se torna cada vez mais necessária; e nós podemos ser parte disso, jogar junto, entrar em campo: fomentar a vontade e fiscalizar as incorreções; espraguejar num erro, mas aplaudir o acerto ou o esforço na busca dele; deixar dessa coisa escrota que parte, em muitas vezes, das “organizadas”, de vaiar determinado jogador quando ele pega na bola: quando o jogador entra em campo, ele deixa de ser ele mesmo e passa a ser Flamengo, quando eu visto o Manto, eu sou Flamengo, quando estamos em corrente visando a um mesmo objetivo (a vitória, o título, a redenção) todos somos Flamengo. Façamos nossa parte!

SRN

P.S.: minha responsabilidade aqui só aumenta a cada dia: não bastasse dividir essas páginas com um amigo que é líder do campeonato, agora figuram por aqui escritos também do segundo colocado do torneio!

P.P.S.: não vou usar a terminologia corrente para o ocupante da segunda posição de um torneio, por medo de ferir algum direito de propriedade, material ou intelectual, e ter que vir a responder por isso, pois todos sabemos que esse termo é patenteado por um rival histórico nosso, aqui do estado, e que se encontra, literalmente, numa seca danada...

*Thiago Aresta é afiliado ao PMDB, por isso fez média com os colegas colunistas que estão em melhor posição da tabela.


sábado, 22 de setembro de 2012

Preparado? Sim, pode chutar!



Otavio Meloni*


Amigos, apesar da vitória sobra o Náutico e da manutenção da liderança do brasileirão, este post não falará sobre o Fluminense. Hoje dedicarei este espaço a uma de minhas principais distrações de infância e parte da adolescência: o jogo de botão. Ontem, estava pesquisando na internet sobre a nova data de lançamento do PES 2013 no Brasil (foi adiantado para sexta que vem, aleluia) e acabei me lembrando de quando os jogos de futebol em games ainda eram arcaicos e a gente se divertia mesmo era com uma tábua de botão. 
Como uma coisa puxa a outra, as lembranças foram se somando até chegar às manhãs de sábado em que íamos, meu primo e eu, com meu pai comprar botões na superboll, no centro de Niterói. Havia todo um ritual neste processo. Primeiro, a superboll tinha um balcão/vitrine que era de vidro e tinha umas gavetas com divisórias que separavam os botões por seus preços/qualidade/posição. Aquele era o maior paradoxo dos meus oito anos: comprar dois mais baratos de uma camada ou um de duas camadas? Droga de vida de menino com mesada pequena. Pois é, comprávamos o que dava, mas não sem antes testarmos paletando sobre o balcão de vidro e analisando o deslize do futuro craque, sua capacidade de encobrir o goleiro, se havia algum "dente" na bainha, essas coisas. Depois disso, corríamos para a casa de meu primo, onde nossas mães já planejavam algum almoço mirabolante, para começar a jogar com nossos times e as novas estrelas.
Esse é outro ponto importante. Cada um tinha um time próprio, sem logomarcas ou escudos de times reais,com botões mesclados, nada uniformizado. O time do meu primo se chamava "Agente Laranja" e o meu time era o "IRA". Logicamente, o Agente Laranja colecionava mais vitórias em nossos confrontos, devido a maior experiência de meu primo na prática do jogo de botões, mas cada jogo era sempre uma disputa emocionante. Lembro de uma manhã em que descobríamos novos craques para nossos times e travamos um dos jogos mais emocionantes da história desses confrontos, um desses jogos que, por ironia do destino talvez, preferem ficar empatados, mesmo após duas prorrogações. Passávamos grande parte do nosso tempo preparando nossos times, treinando, pensando em esquemas e tentando levar para a tábua o máximo de nossa compreensão sobre futebol. Quem jogou botão sabe que não há melhor maneira de experimentar táticas e posicionamento de futebol do que num jogo desses.
Com o tempo, o IRA se transformou em OCN e hoje, grande parte desses craques ainda estão em minha posse, assim como minha tábua de botão, traves excelentes, paletas, bolinhas... enfim, só falta ter com quem jogar. Se alguém ainda se interessar por este esporte, comente aqui, pois podemos marcar um campeonato. Esse saudosismo todo... amanhã vou abrir o "ônibus" do OCN e dar uns chutes pra relembrar como se encobre o goleiro com categoria.

*Otavio Meloni sofreu muitos gols do meia esquerda Epocler, mas também fez muitos gols com Ameixa, dois dos craques que tanto abrilhantaram essas manhãs/tardes de botão.

sábado, 15 de setembro de 2012

"Ainda bem, mas até quando!"



(O Sóbis ficou me devendo um post decente, culpa dele!)


Otavio Meloni*

Se um leitor mais atento quiser ser chato vai dizer: "O título desse post é uma frase do post do medo da seleção de Mano!" É mesmo!, você não está errado. Antes que algum desavisado babaca venha dizer que há um pessimista atrás dessa tela em branco, eu vou avisando que sou tricolor e quero ser tetra campeão brasileiro, mas estava evidente que os tropeços iam começar a acontecer. Eu não esperava que o primeiro fosse em casa, na nossa sucupira cinzenta (apud: MORAES, Aline), contra um dos lanternas do campeonato, mas esperava que viessem. O mais engraçado é que tudo parecia caminhar para mais uma vitória suada e nervosa, como as de sempre, mas hoje não Galvão.
O jogo atrasou por conta dos refletores que sucumbiram no estádio da cidadania. O fato deverá gerar manchetes medíocres como "Apagão tricolor" ou "Flu sem brilho", mas se você veio ao nosso blog não é esse tipo de manchete que quer ver. Logo, não se preocupe. Voltemos ao jogo. Abel ousou, sim, ousou (para os moldes Abel) e ao invés de entrar com Diguinho no meio, recuou Thiago Neves e colou o Sóbis no time. Sóbis que jogou nada, se machucou e ainda fez a coisa mais traumática deste sábado. Explico: enquanto aguardávamos o acender dos refletores, os alto-falantes do estádio tocavam a introdução de "Seven nation army". Neste momento olho para o campo e vejo Sóbis, sozinho, chutando bolas pro gol, logo pensei: "É hoje que o Sóbis mete uns dois e eu nem vou ter trabalho para escrever minha crônica... mas não foi.
Assim como Sóbis, o time todo deixou a desejar quanto a técnica. O primeiro tempo foi o jogo de um time só, o Flu. Mas em dois contra-ataques o Atlético de Goiás meteu dois gols: um de falta e um de corner. O goleiro Flávio impediu com grande defesa o gol de Thiago Neves e foi só. Depois do intervalo o flu voltou com duas alterações: saíram Samuel (berilaum) e Carlinhos ( que foi massacrado pela torcida em mais uma atuação pífia) e entrarem Higor e Wallace, mais dois desses garotos que o Flu forma em Xerém e a Unimed vende pra Rússia. O time melhorou. Esse Higor tem bola, em breve será um ótimo camisa 10, podem esperar, e o Wallace fez o que o Carlinhos não fez no primeiro tempo: apareceu pro jogo. O Flu melhorou, mas daí a virar eram três gols sem levar mais nenhum. No meio do caminho, Sóbis machucou e abriu espaço para Michael (outro de Xerém), que meteu o gol de honra. Depois, foram vinte minutos de chuveirinho, uma cera irritante do goleiro Flávio e mais uns dois milagres do arqueiro goianiense, um em bela jogada de bicicleta do Michael.
O Flu perdeu. Foi a segunda derrota neste brasileiro, vejam bem. Ainda somos líderes até amanhã, basta secar o Galo mineiro. Libertadores só escapa se houver uma catástrofe. Acho que tudo isso, somado às vitórias que viemos conseguindo sempre de forma apertada (estilo Abel que tanto gosto) fizeram com que boa parte da torcida não vaiasse no final do jogo. Afinal, nós já sabíamos, essa hora ia chegar!
Tristezas a parte, fiquei pensando em duas coisas. A primeira delas é na geração de jogadores que o Fluminense está formando para os próximos anos. Esse menino Higor é bola, você sabe quando o cara leva jeito pra craque quando ele já domina a bola olhando pre frente, vislumbrando o campo todo. vai dar trabalho. o Wallace, o Nem, o Michael, o Eduardo... Acho que a gente tem time pros próximos cinco anos, é só não vender. A segunda é perceber como a torcida do Flu está cada vez mais jovens. Muitas crianças e adolescentes de uniforme, cantando o hino, as músicas de arquibancada, etc. Muito feliz em ver isso!
No mais, é secar o Galo, o Grêmio e torcer para que o estilo Abel retorne, já na próxima rodada. Sábado que vem estaremos lá no Raulino de novo, contra o Timbú!

*Otavio Meloni está certo de que o que ocasionou a derrota do Flu foi ter levado sua mãe, rubronegra, ao Raulino neste sábado. Calma amigos, isso não se repetirá contra o Náutico!

Happy Andy!




Ivan Kano*


Não, eu não vi o início do jogo, comecei a assistir quando Djokovic iniciava a reação a partir do terceiro set. Sim, terminado o quarto set, achei mesmo que eu é que tinha zicado parada, que a derrota era questão de tempo. Desculpem, mas, depois de tanto tempo vendo Andy Murray cumprir sua via crucis em busca de um Slam redentor, confesso que comecei a desenvolver um certo botafoguismo, aquela mistura descabida de sebastianismo e filosofia estoica que transforma a superstição em lei da física, a derrota em sina – em suma, a fatalidade em destino. A meu favor havia dois dados: fazia bem pensar que Andy poderia finalmente vencer na quinta tentativa, tal como Lendl, seu treinador; era muito simbólico que Mori exorcizasse o fantasma na mesma Arthur Ashe onde, quatro anos antes, disputou sua primeira final de Grand Slam, contra o Federer. O ser humano, sabemos, é uma máquina de ver sentido onde não tem e, no fim das contas, pra bom botafoguense, meia crendice basta.
O fato é que resolvi preservar a saúde e não assisti ao início do jogo. Se tivesse sorte, veria o final, um quinto set com dois jogadores se arrastando em quadra, aquele mezzo clássico mezzo clichê do tênis que só não é mais desesperador porque em Nova Iorque vamos, no máximo, até o décimo-terceiro game. Liguei o streaming, dividido entre o desejo improvável de ver o britânico encerrar o drama de uma vez e a certeza de que o sérvio, de alguma maneira, reagiria. Era previsível, afinal. Um pouco pelo que a gente conhece do Murray (tá, bastante, sim), mas muito pelo que já se viu Nole produzir, especialmente quando liga o modo O último dragão branco de jogo: consigo imaginá-lo, de olhos vendados pelo Marian Vajda, treinando aquele maldito forehand na linha que o colocou na final dos dois últimos US Open. Por isso, mais do que ter vencido os dois primeiros sets – indo além do que jamais havia feito em uma final desse nível até então –, e mais até do que ter iniciado o quinto set com uma quebra, foi no sexto game da última parcial que Andy mandou um sonoro hoje não! pro sujeito postado do outro lado da rede. Liderando por 3/2 e saque, mas pressionado por ter perdido uma vantagem de 3/0, e quando todo mundo talvez desse como certa uma virada nada incrível, dado o histórico autodestrutivo do escocês, Andy foi lá, deu quatro saques e fechou o game em pouco mais de um minuto. Soa como desdém agora, mas depois daquilo os games restantes me pareceram meramente protocolares – Andy seria de fato campeão de um Grand Slam.
E o bem que Andy fez ao mundo talvez seja provar que não é preciso parecer um androide pra ser campeão neste esporte. A passividade, os novecentos e quarenta e dois vírgula quatorze break points não aproveitados por hesitação, a instabilidade mental: todas as razões já apontadas pra explicar seu fracasso apareceram durante a campanha vitoriosa. Era uma questão de achar a medida, uma questão de ajuste, não de transformação radical.
É claro, não é preciso torcer pelo Andy pra saber de seu potencial técnico, do slice, do dropshot, da variação de velocidade dos golpes, das passadas e do etc.: basta assisti-lo jogar. Mas só quem torce por ele sabe apreciar o potencial trágico da figura. Na era do “melhor da história”, Mori peca por sentir o peso do mundo – ou do Reino Unido – nas costas a cada forehand. Num esporte que exige, por estranho que seja, a força mental de uma máquina, ele paga por encenar um Hamlet a cada erro não-forçado. Nos tempos da comunicação, do showman (ainda prefiro entretainer) , é acusado de não sorrir quando deveria. A antipatia com que muitos o desmerecem, aliás, nasce justamente dessa dificuldade de ser como as pessoas esperam que ele seja. Andy Murray não tem um manual de instruções muito óbvio nem é figura lá muito rentável – ao contrário daquele moicano, Andy, sim, é apenas um garoto brincando com sua raquete. Batalhando no meio de gente que tem sido campeã em tudo, num mundo em que somos obrigados a ser campeões em tudo, Andy insiste em ser um personagem estranho, instável, literário demais, até no modo de viver seu merecido happy end. Mas, pasmem, gente assim, vez ou outra, também tem direito ao paraíso.

*Ivan Kano acompanha tênis há muitos anos, apesar de ser corintiano, e estava devendo este slicer para nosso humilde blog. Dono de texto impecável, só lhe falta um grand slam... quem sabe aqui!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Sentimento Atleticano


Marcus Duarte*




Este ano o atleticano passa por uma angústia. São 40 anos de jejum do maior campeonato de futebol neste país. Nestas 4 décadas o Galo teve momentos gloriosos e outros de esquecer, como cabe a qualquer grande clube do país. Neste sobe e desce do campeonato o Galo foi tachado de clube pequeno por seus adversários.
Tentando ser o mais imparcial possível, não concordo em chamar de pequeno um time que ficou 15 vezes entre os 4 primeiros colocados e ainda é o 10º colocado no ranking nacional de clubes divulgado e organizado pela CBF (à frente do botafogo e fluminense – só para irritar o editor chefe deste blog). O Galo é sim um clube grande e de tradição como aqueles que disputam com ele o título deste ano (Grêmio e Fluminense). O problema é que o Atlético é um time grande que jogou os últimos 15 anos como pequeno. Tenho que reconhecer, fomos pequenos (não somos). E isso dói no atleticano. Viramos piada nacional. Infelizmente, a piada foi justa. Nestes anos, não era o Galo, parecia um impostor!
Em 2009, num arremedo de time, fomos chamados de cavalo paraguaio e no fundo sabíamos que seria assim. Mas agora, não! Não somos cavalo paraguaio! O brio, o orgulho de ser atleticano volta a encher os olhos dessa massa apaixonada. Não garanto o título no final do ano (aliás, quem garante?). Mas isso não faz de nós, cavalos paraguaios.  Este rótulo, meus amigos, ficou pra trás. Ganhar ou perder é parte do jogo, mas lutar até o final com raça e jogando o fino da bola faz o atleticano bater no peito e dizer, somos cavalos puro sangue (preto e branco).
O que o Atlético (e o atleticano) conseguiu este ano já é uma conquista imensa. Voltamos a ser respeitados. Ninguém chega aqui em Minas já computando três pontos na bagagem como foi outrora (há mais de 1 ano que ninguém consegue este feito contra o Galo). O Galo mostrou que é grande e volta a figurar entre os grandes. As piadas de hoje me parecem mais medo da volta do gigante do que uma justa zombaria a um time apequenado.
Volto a dizer, ganhar ou perder é parte do jogo. O Fluminense faz uma campanha fantástica e, se ganhar, parabéns. Terá ganho com méritos. Ficarei triste se isso acontecer. Mas essa tristeza passará rápido, pois saberei que meu time renasceu, voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído: o seleto grupo dos grandes clubes do país.

Ôôôôô vamos voltar Galôôôô, vamos voltar Galôôôôôôô!!!!



*Marcus Duarte é apaixonado por esporte e música, não necessariamente nesta ordem. Atleticano preto e branco e fã do tricolor Chico Buarque, além de profundo conhecedor da arte do pão de queijo e do torresmo!



domingo, 9 de setembro de 2012

To Nem aí!

(Mesmo sobre forte marcação, Nem fez a diferença no Beira-Rio)

Otavio Meloni*

Pois é minha gente, não é que o Fluzão ganhou de novo. Mais uma com o estilo Abel de jogar bola: acha-se um gol e depois é só segurar! Foi assim que batemos um combalido Inter, cheio de desfalques, jogadores em suas seleções e de um incrível espírito de porco. O Fluminense não tinha nada com isso, afinal trata-se de um campeonato de pontos corridos e quem tem melhor  elenco sempre se dá bem. O problema é que apesar desse história dos elencos, sempre tenho a impressão de que o Flu pode entregar o jogo, o campeonato, o intervalo e tudo mais a qualquer pixotada do Gum, ou tentativa de arrancada do Diguinho. Pois é, mas hoje não foi assim e a nossa defesa, mesmo que este incrédulo torcedor/editor/crônista, ache que o pior irá acontecer. Daí vem o ataque e nele temos o artilheiro desta bagaça de campeonato: um senhor chamado Fred que sabe jogar a bola na rede. Pode parecer pouco, mas tem muito time precisando de um desses. E tem o Nem. Eu não sei se o Nem será o novo Lenny, mas tem o Nem e o moleque tá comendo a bola. Hoje ele pentelhou tanto a zaga do Inter que eu acho que o Abelão o tirou no segundo tempo com medo dele tomar uma foiçada dos habilidosos Índio e Moledo. A arrancada e a assistência para o gol do Fred já poderia ter sido o suficiente para lhe valer o posto de craque do jogo, mas ele jogou muito! Por isso eu digo: To NEM aí, o galo que se cuide que a gente tá achando a forma do Abel! 


Na boa, dia 15 e dia 22 de setembro, tem jogo do Fluzão aqui no Raulino. Cobertura total do So Acaba!